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ANTONIO P. MENDONÇA

Seguro de auto, este ano é para profissional

Fonte: Data: 03 março 2015 Nenhum comentário

Faz tempo que o underwriting do seguro de veículos em várias companhias tem índice combinado acima de 100 pontos. O lucro vem efetivamente do resultado financeiro

Falar que 2015 será um ano muito difícil é chover no molhado, repetir o que todo mundo já sabe e por isso o país torce pelo novo Ministro da Fazenda. Se ele não for prestigiado, o buraco ficará maior. Ou seja, a realidade argentina estará mais próxima, com tudo de desastroso que isso representa.

O problema é que não tem como quem mexe com seguro não prestar atenção ao quadro geral da economia e da sociedade brasileira. É preciso ter claro que seguro é ferramenta de suporte, é peça acessória, que é turbinada ou não pelo crescimento da economia e pela demanda da sociedade.

Em 2015 estas duas premissas estão comprometidas. O crescimento será próximo de zero e a o aumento da demanda já deu lugar à estagnação desde o final do ano passado. Como consequência, é de se esperar a retração do setor, com menos gente contratando seguros e, os que o farão, pensando muito antes de fazê-lo.

Com o arrefecimento do consumo vários produtos que vinham crescendo em ritmo acelerado devem mudar a toada. É o caso das garantias estendidas e dos seguros prestamistas.  Dificilmente o ano permitirá desempenho comparável aos dos dois últimos exercícios.

Mas para boa parte das seguradoras em operação no Brasil o seguro que realmente importa é o seguro de veículos. É ele que responde por parte muito importante dos prêmios das seguradoras de varejo. E é ele que está complicado desde 2013.

Complicado não significa que operar no ramo seja sinônimo de prejuízo. Várias seguradoras investem pesado no produto e sabem tratá-lo de forma eficiente, precificando corretamente e adotando medidas operacionais que lhes permitem manter um desempenho positivo, ainda que com vetores diretamente ligados ao seguro de veículos se deteriorando.

A deterioração do próprio negócio não é tão recente. Já faz alguns anos que os roubos de veículos mantêm tendência de alta, mês após mês, em praticamente todas as zonas urbanas importantes. Como se não bastasse, as colisões, que durante anos praticamente não apresentaram oscilação significativa, depois do início dos financiamentos de longo prazo, sofreram forte aumento.

Quer dizer, o número de eventos aumentou, impactando diretamente o seguro do próprio casco e as garantias de responsabilidade civil. É verdade que a maior parte dos veículos brasileiros não é segurada, mas isso não impede que o aumento geral dos sinistros atinja negativamente a última linha do resultado da carteira.

As seguradoras se valem do resultado da aplicação dos prêmios no mercado financeiro para melhorar o desempenho do seguro de veículos. É prática antiga e que, com os juros altos e a inflação baixa, melhora muito o lucro da companhia. Acontece que em 2014 a inflação atingiu a banda alta da meta anual e em 2015 há quem diga que ela pode ficar acima dos 6,5%.

Se isso se confirmar, a remuneração do dinheiro, ainda que acima dos 12% anuais, representará um volume de recursos muito menor. Supondo que os juros básicos atinjam 13% ao ano, a rentabilidade real será de 6,5% no período e sobre ela incide imposto de renda e IOF, recém elevado pelo Governo.

Faz tempo que o underwriting do seguro de veículos em várias companhias tem índice combinado acima de 100 pontos. O lucro vem efetivamente do resultado financeiro.

O problema é que a sinistralidade deve continuar subindo, assim como a inflação deve permanecer alta. Ou seja, o índice combinado deve ultrapassar em muito os 100 pontos e o resultado financeiro deve cair para menos de 5% reais ao ano. O resultado da operação neste cenário pode ficar negativo, o que significa prejuízo na última linha do balanço.

Todas as companhias estão condenadas a amargar perdas com o seguro de veículos? É evidente que não. Mas, mais do que nunca, o seguro de automóveis, ao longo de 2015, será trabalho para profissional. Não adianta apenas vender. Será necessário tratar o negócio com olhos na sintonia fina. Dependendo da situação será inclusive melhor deixar de fazer o seguro, reduzir a carteira e manter a rentabilidade.

ANTONIO P. MENDONÇA

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

 

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